“POEMA PARA MARINA”

Seus lábios se encontram, imperceptíveis,
Rápido estalo numa pausa da música.
Produz-se o som imperceptível
Aos mesmos ouvidos que não se volta ao repente do clarão.
Tão sutis soam suas notas, quase confessional.
Rompem condição de coisa latente,
Há tanto propositalmente velada.
A espera até setembro, não sei bem se capricho
(Delicia-a confundir-se com suas marés).
Até percorrer todo o espaço o brilho
E num ponto cômodo da órbita
Gozar o instante em que se fizer revelar.

Delicada em sua dança, nunca tão ousada.
Fim da crisálida em meio a festa da vaga,
Entre as ondas arrisca estender sua forma contornada.
Umbigo, músculo, bico de seio.
Marina qual passagem súbita do cometa,
Mas prenhe de letra e canção,
Corta rostos escancarados,
Não de pudor, mas de desejo intransferível.
Entre um brinde, derramado o encanto,
Outro coração flechado é lume.
Deleitosa, inunda o abismo,
Toma a arrebentação de abrigo
Ao transbordar seu refrão, e some,
Evola líquida e fugaz,
Seu lampejo entre as luzes da cidade
Que tenho outra noite à procura.

Meu amigo Pedro Galdino escreveu e enviou por e-mail em 03 de outubro de 2005.

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