Sandra Annenberg entrevista Marina Lima

(Jornal Hoje / TV Globo / Rio de Janeiro)

Meio século de vida. Mais da metade dedicada à música. Dito assim, tem um peso, mas a nossa entrevistada tem leveza para lidar com altos e baixos e olha que não foram poucos: Marina Lima.

Sandra Annenberg: Cinqüenta anos de vida tem algum peso?

Marina Lima: Nunca tive grilo com a idade, nunca. Acho que a idade traz uma sabedoria, uma série de vantagens. Tem a coisa da questão física, que é complicada, mas acho que é você saber envelhecer bem. Eu adoro malhar, por exemplo. Hoje em dia não tenho tanto fôlego assim. Desde 20 anos, malho diariamente. Adoro mar.

S: Receita da Marina para o dia a dia. Como é sua rotina?

M: Eu acordo, faço exercício. Tomo café na cama, leio jornal na cama. Vou ao banheiro, lavo o rosto, creme, hidratante, filtro solar se tiver sol e vou malhar.

Carioquíssima, movida a luz solar, passou a infância na gelada Washington, nos Estados Unidos. Para aquecer o coração. “Meu pai me deu um violão, com cinco anos, isso mudou minha vida. Comecei a tocar e aprender música desde muito cedo, senti muita falta, porque quando voltei pro Brasil de vez, voltei de navio, não trouxe o violão no navio. Então fiquei 10 dias no navio desesperada porque eu não tinha o violão para tocar”.

“Gosto de compor. Uma coisa que fui trabalhando, investindo nisso e adoro cantar as minhas canções e canções que eu queria ter feito, dos outros”.

S: Você criou durante o seu período de depressão? Foi uma mola propulsora?

M: Foi um período muito rico, difícil, meio negro, mas muito rico. Agora que passou, eu olho para ele e vejo como foi importante como artista. Quando eu posei nua, foi uma prescrição médica. Achei que seria bom para lidar com minha timidez, porque eu sou tímida e foi bom, porque fui muito paquerada. (risos)

S: Projeto para vida daqui pra frente , depois que tudo isso ficou pra trás. Dos 50 em diante, o que você pensa?

M: Muita música. A vida na altura da arte. Não pode ficar só o trabalho. Tem que achar esse equilíbrio. Minha busca desse equilíbrio e de ser feliz. Se não for pedir muito. (risos)