1998

15 de Fevereiro. (Jornal Folha de São Paulo) “Gata exata” – Banhos de piscina com vista para a Lagoa, no Rio, ao cair da tarde, são raros nestes tempos de novas empreitadas: na verdade, Marina Lima tem mesmo é trabalhado sem parar para que tudo esteja pronto em maio, quando sai seu primeiro disco da nova fase, na Polygram.

15 de Março. Morre Tim Maia.

18 de Abril. Morre Nelson Gonçalves.

Junho. (Revista Caras) O vendaval e Marina Lima está de volta à cena brasileira, depois de enfrentar uma terrível crise emocional que a afastou dos palcos e dos amigos. Recolhida, a cantora não conseguia falar, e muito menos, cantar. Deprimida, imaginou ter feito escolhas erradas pela vida. Entrou no estúdio para a gravação de seu novo disco e demorou sete meses para concluir “Pierrot do Brasil” – a ser lançado em julho -, o dobro do tempo necessário. Felizmente, ela encontrou seu próprio rumo e hoje declara estar vivendo um ‘novo recomeço’. Recuperada e feliz, a cantora, que surgiu no finalzinho da década de 70, recebeu CARAS para essa entrevista, em que revela com sinceridade seus mergulhos e descobertas na eterna busca de conhecer a si própria. (por Regina Echeverria)

CARAS: O que realmente aconteceu?

MARINA: “Estava deprimida e por causa desse ciclo constatei que tinha feito coisas erradas na minha vida, que não tinha feito as escolhas certas, aí fiquei doente. Não conseguia falar, quiçá cantar. Não tinha muita paciência para narrar, explicar, justificar.”

C: Que Marina você é hoje?

M: “Uma pessoa com energia com energia, sempre aberta coisas novas, novos estímulos. É isso que faz com que alguém não envelheça, o estado de espírito. Sou capaz de olhar para a Fernanda Montenegro e ver uma luz que não vejo numa pessoa de 20 anos. Lucinha Araújo também é muito chique. Tem exemplos aí, só não vê que não quer.”

25 de Junho. (Jornal O Globo) “0800 115751” – As gravadoras brasileiras estão determinadas a acabar com a pirataria no mercado fonográfico. Vão imprimir nas capas dos CDs e em todas as peças promocionais o número do disque-denúncia. A Polygram dará a largada: “Pierrot do Brasil”, novo CD de Marina Lima, que sai em julho, já trará impresso, bem legível, o número 0800 115751. (por Anselmo Góis)

18 de Julho. (Jornal Folha de São Paulo) “Single tecno de Marina será lançado no MMM” – O selo do Mercado Mundo Mix está começando a investir pesado no mercado de discos voltados para DJs e para as pistas de dança. (…) A grande tacada de divulgação do selo e da música eletrônica acontece no dia 5 de agosto, quando será distribuído somente para DJs e rádios que tocam o estilo o single com remixes de duas faixas novas da cantora Marina Lima: “Deixe Estar” e “Pierrot”. “Marina sempre emplacou músicas nas pistas naturalmente. Por isso, ela adorou a idéia de transformar suas músicas em faixas mais atuais”, conta Beto Lago, diretor artístico e criador do mercado, que vai lançar uma edição de 250 cópias. (de Reportagem Local)

25 de Julho. (Jornal O Globo) “Marina entre ‘ruídos do fim do século’ e o amor” – Musicalmente, “Pierrot do Brasil” é considerado o trabalho mais autoral da cantora. A canção tema do novo disco de Marina Lima, “Pierrot”, resume as intenções deste trabalho da cantora e (desta vez, principalmente) compositora. A música tem letra totalmente confessional, escrita pela própria Marina (“…sim, eu resolvi me ausentar/para ocultar a minha dor/fugi, menti/talvez por pudor…”); é inspirada em histórias de amor vividas de fato. (…) “Pierrot do Brasil” nasceu de uma série de acontecimentos na vida de Marina. Primeiro foi a observação da ebulição criada na música brasileira a partir das recentes experiências rítmicas da Bahia e de Pernambuco. Depois, como ela mesma diz, quis “lavar a alma” de todas as suas histórias de amor e da “séria crise emocional” que viveu nos últimos dois anos. Por último, do contato direto que teve com a tecnologia MIDI, através de um curso em São Paulo, que a torna uma manipuladora de sons eletrônicos. Mas neste disco, o que mais chama a atenção é a base eletrônica criada por Marina e Suba, mesmo nas canções mais cool. (por Hugo Sukman)

(Jornal Folha de São Paulo) “Marina põe a voz no peito em Pierrot” – Marina Lima, 42, mentiu. “Pierrot do Brasil”, seu novo CD, é suposta retomada de prumo após uma série de problemas vocais que enfrentou. Mas agora Marina diz que eles nunca aconteceram. “Na época (1995), tive que falar que o problema foi com a voz, porque no Brasil parece que não existe problema emocional. Se você diz que tem, parece que é frescura, ainda mais se é mulher. Foi uma grande crise emocional. Sou muito controlada, mas chegou uma hora em que a fonte secou, foram várias perdas acumuladas. Essa crise acabou atingindo minha voz, eu não conseguia falar, nem pensar direito. Era angústia, areia no peito. Graças a Deus, não tinha nada.” (…) “Pierrot do Brasil” não é, segundo ela, filho da crise. “Veio a partir de uma grande crise, não posso negar, mas não é filho dela. É autoral, acho que o mais autoral que já fiz. Quis  fazer sozinha, não coube ninguém nele.”  (por Pedro Alexandre Sanches)

(Jornal O Dia) “Um pierrô apaixonado” – Marina Lima é, como ela mesma se define, “uma cidadã do mundo”. No novo disco da cantora, “Pierrot do Brasil”, nas lojas a partir de segunda-feira (27), há o olhar estrangeiro de um iugoslavo que veio para o Brasil estudar o candomblé. Seu nome é Suba e coube a ele assinar a produção musical do primeiro disco de repertório inteiramente autoral da cantora desde “O Chamado”, de 1993. Puxado pela balada pop “Deixe Estar”, o álbum tem bases eletrônicas e traz uma homenagem a Kurt Cobain – o líder do Nirvana que se suicidou em 1994 – e mostra uma Marina romântica, que fala de amor e, sobretudo, do medo de amar nas dez faixas do CD. (por Mauro Ferreira)

27 de Julho. (Revista Época) “Quando sofrer faz bem” – Com “Pierrot do Brasil”, décimo quarto disco de uma carreira iniciada em 1979, está novamente acesa a centelha da criatividade de Marina Lima. A cantora, compositora, arranjadora e agora multiinstrumentista carioca parecia meio apagada em seus dois trabalhos anteriores, “Abrigo” (1995) e “Registros à Meia-voz” (1996). Sua crise artística parece ter sido deflagrada por uma crise de  caráter pessoal e começou em 1994, quando se afastou dos palcos, e, dois anos depois, da mídia e dos estúdios. Marina recolheu-se, passou um período em São Paulo, onde fez um curso intensivo de MIDI (linguagem digital que estabelece a comunicação entre computadores e sintetizadores). No Rio, passou a freqüentar grupos de estudo de filosofia. Ao retomar sua carreira, Marina acaba confirmando a infeliz (para os artistas) máxima de que o sofrimento é gerador das mais interessantes obras de arte. “Pierrot do Brasil”. É um dos melhores lançamentos de uma artista cuja carreira inclui títulos fundamentais como “Certos Acordes”, “Fullgás”, “Todas” e “Virgem”. (por Marcio Gaspar)

29 de Julho. (Revista Isto É) “Coragem de felina” – Vista sob as lentes esverdeadas dos eternos óculos que usa para esconder a timidez, às vezes disfarçada em seqüências de pequenos risos nervosos, a carioca Marina Lima, 42 anos, parece um ser frágil. A impressão, a princípio confirmada pela extrema magreza do corpo de 1,63m, 53 quilos, e pela suposta falta de força nas mãos finas de dedos longos, logo se transforma em equívoco quando, num lapso de confiança, ela desvenda os olhos castanhos revelando um olhar de felina. “Só tenho medo de ter medo”, segreda a cantora de voz rouca. A frase é perfeita para se encaixar, uma carreira de segundo descrição própria, na definição do recente álbum “Pierrot do Brasil”, o 15º de uma carreira de 20 anos. “Este é um disco muito vivo. É sobre a coragem, sobre a falta de ter coragem, sobre a vontade de ter coragem”, diz. “Também falo de paixão, carinho, desejo, saudade.” “Pierrot do Brasil” chega num momento especial na vida de Marina. Inicia um novo ciclo profissional, emocional, depois da crise que há dois anos se armou em função de perdas amorosas e da morte do pai. O turbilhão de acontecimentos foi por ela tolerado à maneira da virginiana que é, ou seja, aquietando-se (por Apoenan Rodrigues)

1º de Agosto. (Revista Manchete) “Tive uma crise e perdi a voz” – Se nome próprio tivesse sinônimo, o da cantora Marina Lima, de 42 anos, seria serenidade: “Depois da crise, fiquei quieta, ouvindo minha voz interna.” Prova de que a solidão poder ser fértil é seu novo trabalho, o disco “Pierrot do Brasil”… O 15º LP de Marina possui uma brasilidade rítmica surpreendente, com fortes influências da música nordestina, do pagode, do samba. “É o meu disco mais brasileiro. Esta riqueza de ritmos da Bahia e de Pernambuco me contagiou. Percebi, ao mesmo tempo, que a nova música empobreceu em harmonia. Resolvi promover o casamento entre ritmo e harmonia, num disco totalmente autoral.” (…) Mas o que moveu o novo trabalho, feito ao longo de oito meses? “O dicionário diz que coragem é uma qualidade moral ante situações difíceis. O disco é sobre esta audácia, esta força a que chamamos de coragem e também sobre a falta dela. O pior sentimento do mundo é o medo.” (por Ana Madureira de Pinho)

Chega às lojas, pela EMI-Music, “Acontecimentos”, um CD com as melhores canções de Marina Lima em sua passagem pela gravadora. Tem, desde “Grávida”, parceria sua com o ex-Titã Arnaldo Antunes, à regravação da música “Para um Amor no Recife”, composta por Paulinho da Viola.

8 de Agosto. (Campinas) “A dama do Brasil” – Ela não se considera mais uma jovem senhora. Aos 42 anos, Marina Lima se sente “uma dama”, como ela própria define. Depois de uma crise emocional, termo preferido no lugar de depressão, e quatro anos ausente dos palcos, a cantora volta à ativa. O recém-lançado “Pierrot do Brasil”, o 15º álbum da carreira, marca uma nova fase na vida pessoal e profissional da carioca, que autografa hoje em Campinas, entre 17 e 20 horas, no Mercado Mundo Mix (MMM), seu mais recente trabalho. (por Ana Paula Scinocca)

15 de Agosto. Marina Lima é a convidada de Miguel Falabella no programa “Vídeo Show”, da TV Globo.

Setembro. (Jornal Internacional Magazine – Edição 49) Marcos Petrillo e  Marcelo Fróes entrevistam a cantora Marina Lima. Considerada pela cantora como sendo a melhor e mais completa entrevista já feita, ela fala de tudo… desde o começo de sua carreira até a crise que a afastou do cenário musical há três anos.

(Revista Showbizz) “O que houve com a voz de Marina?” – O novo disco de Marina, “Pierrot do Brasil”, marca a volta da cantora à gravadora Polygram, pela qual lançou alguns de seus melhores trabalhos – como “Fullgás”, de 1984, e “Virgem”, de 1987. Concebido pela própria artista e pelo produtor iugoslavo Mitar Subotic (ou Suba), o álbum ganhou roupagem moderna, com farto uso de samples e um tímido namoro com a eletrônica. Além disso, “Pierrot do Brasil” apresenta belas melodias, letras pessoais e músicos de competência reconhecida (o pianista Antonio Adolfo, o baterista Claudio Infante, os guitarristas Paulinho Guitarra e Fernando Vidal), enfim, as qualidades que fazem de Marina uma das grandes artistas do cenário pop brasileiro. Ou melhor, quase todas. Ao longo das dez faixas da obra, sente-se falta do “ronrom” harmonioso de Marina, o registro cool que abrilhantou sucessos como “Criança” e “Uma Noite e 1/2”. A primeira faixa, “Pierrot”, parece ser cantada por outra pessoa. (por Sérgio Martins)

9 de Setembro. Marina Lima participa, ao vivo, do programa “Ronca Ronca”, na Rádio Imprensa FM 102,1. A cantora, além de selecionar as músicas da programação, responde perguntas dos ouvintes.

Nova coletânea de sucessos de Marina Lima: “Milennium – 20 Músicas do Século XX” (Polygram). As músicas que marcaram a carreira da cantora neste século. Desde o primeiro hit, “Nosso Estranho Amor”, até o mais novo sucesso, “Deixe Estar”.

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