1989

11 de Janeiro. (Jornal O Globo) “O rock não morreu. Apenas agoniza” – Da mesma geração artística de Lobão e Lulu Santos, Marina se prepara para começar um trabalho no exterior, como compositora de sólida bagagem e amplas perspectivas, como bela e fascinante, experiente artista de palco: como uma mulher de forte personalidade, de estilo elegante e linguagem própria, audaciosa e amorosa. Agora ela vai a Los Angeles e depois se apresenta em Montreux para a crítica internacional. E nem fala em rock, claro: só Stevie Wonder, canções harmônicas, blues and rhythm and blues and swing cariocas, negros, sensuais. (por Nelson Motta)

11 de Abril. A cantora Marina recebe Disco de Ouro pela vendagem dos mais de cem mil exemplares do disco “O Melhor de Marina”.

21 de Agosto. Morre Raul Seixas.

12 de Outubro. (Jornal da Tarde) “Ela não quer mais glamour. Nem em som” – Marina continua linda. E também continua se recusando a usar da imagem para vender sua arte. Daí ter citado em diversos momentos desta entrevista o conceito de “desglamourização” para definir sua postura junto ao público e à mídia ou mesmo no processo de produção de seu trabalho. O exemplo mais direto e palpável desta proposta é a própria capa do álbum “Próxima  Parada” – que chegará às lojas, via Polygram, na próxima semana. Em vez de seu rosto, fotos em preto e branco, de Walter Firmo, de automóveis em trânsito, um avião decolando, numa colagem do artista plástico Luciano Figueiredo. “Eu cansei de colocar o meu rosto na capa, depois de oito discos”, explica Marina. (por Antonio Carlos Miguel)

(Jornal O Globo) “Pausa obrigatória” – A carioca Marina Lima, 34 anos… já foi “Simples Como Fogo”, “Virgem” e entrou em “Todas”. Passados dois anos do lançamento do ótimo disco e show “Virgem”, a cantora e compositora volta com todo seu estilo no nono LP de sua carreira, o muito bom “Próxima Parada” em selo Polygram. Co-produzindo – junto com o guitarrista Carlos Martau, da banda Cheiro de Vida – esse seu novo disco,  Marina  dá  mais  uma  guinada  em  sua  carreira, refletida no apurado resultado desse “Próxima Parada” onde se mesclam blues, rocks e as recriações de “Garota de Ipanema” e “Only You”, uma das marcas registradas da artista. Que, antenada com seu tempo e, junto com o mentor e parceiro Antonio Cícero, realizou um disco híbrido, passeando pelos versos das  ótimas  “$  Cara”,  “Encarando  Você”  e  “Próxima  Parada”,  feitas  do  presente  e  do  futuro. (por Diana Aragão)

14 de Outubro. (Jornal do Brasil) “A cantora que diz não” – A parada agora é outra: “Próxima Parada”, o nono LP da cantora e compositora Marina, à venda a partir de segunda-feira, apresenta “uma mulher jovem, que não é mais criança aos 34 anos, independente, exposta à luta do dia-a-dia com liberdade de ação e privilegiada por viver, no Brasil, do trabalho que gosta de fazer – música”. Esta autodefinição é também uma imagem de proposital simplicidade: a artista quer descolar o discurso de suas novas canções da guitarrista cool do showbiz, imagem cristalizada há dois anos pelo estouro do oitavo LP, “Virgem”. “O trabalho está com a minha cara, bem desglamourizado. Quero que me vejam por dentro.” Marina também quis se ver por dentro e, depois de quatro anos de psicanálise no Colégio Freudiano do Rio de Janeiro, parece ter liberado mais um lado oculto de seu desejo. Ficou claro ao menos o desejo de dizer aos seus desejos. “Quero dizer ‘não’ ao mundo, para dizer ‘sim’ a mim mesma.” (por Marcia Cezimbra)

16 de Outubro. Lançamento do novo disco de Marina: “Próxima Parada”. O primeiro trabalho em que ela participa na produção. E o primeiro disco que não vem com uma foto sua estampada na capa.

12 de Novembro. (Tribuna da Bahia) “Intimismo de luxo” – Algumas estrelas da música popular brasileira podem se dar ao luxo de, vez por outra, colocar no vinil um trabalho essencialmente voltado para seu gosto íntimo, seu sentido estético pessoal. Insisto na palavra “luxo” basicamente porque o chamado “mercado fonográfico” no Brasil é um dragão de vinte fôlegos, que obriga até mesmo grandes nomes a exercícios contínuos de marketing direto, ou seja, planejar discos para vender a qualquer custo. Marina sempre colocou acima de tudo a qualidade de sua música e seu toque pessoal. O resultado de vendas era – e é – uma outra história. Marina é hoje uma das mais regulares vendedoras de discos no Brasil, sem grandes oscilações e com uma das platéias de consumidores mais fiéis da MPB. “Próxima Parada”, seu novo álbum, é uma demonstração clara do quanto a cantora carioca se permite. Fez um disco extremamente “cool”, não exageradamente romântico como chegaram até a cometer alguns críticos, mas delineado por uma atmosfera de intensa suavidade… É o álbum mais suave já produzido pela cantora até hoje. (autor desconhecido)

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