1987

Janeiro. (Revista Bizz) “Marina volta com tudo” – Nada como uma parada para tomar fôlego. Marina mudou de banda, trocou de visual e voltou com tudo. Ou melhor, com o LP “Todas Ao Vivo”, que alcançou a marca do Disco de Ouro. A repórter Sônia Maria foi conversar com ela sobre a vida, a música, as paixões e muito mais… Marina faz rock de classe, romance sem melecas, alinhavados por uma voz na medida exata de seu estilo – único e intransferível. (…) o que Marina – com uma longa história no cenário musical brasileiro – acha da atual safra do rock? “Rock é comportamento: de vida, de contestação, da gente ir contra o que é convencional. É nossa maneira de dizer não, fim e chega para outras coisas. De ser à margem do banal. É uma música vital, embora o que eu faça seja mais cool, mild, mais funk até…” (autor desconhecido)

(Revista Desfile) “Marina, uma mulher do seu tempo” – Marina tem cara de janeiro: verão, calor, sensualidade. Uma mulher moderna, atual, que está fazendo a cabeça de todo mundo. É claro que o caminho até o sucesso não foi fácil. O mundo do rock é masculino, principalmente no Brasil. Poucas mulheres conseguiam furar esse bloqueio. Mas ela traçou sua trajetória com garra, carinho e paciência, e acabou passando uma rasteira nesse “Clube do Bolinha”. Hoje quem manda é você, Marina. (por Ana Gaio)

17 de Janeiro. (Revista Manchete) A cantora Marina e o ator Felipe Camargo levam um papo chocante, mostrando o contra-ataque do poder jovem. De segunda a sábado, Marina canta “Pra Começar”, tema de abertura da novela “Roda de Fogo”, onde Felipe Camargo se destaca na primeira linha de atores. Apesar disso e de terem se cruzado durante a campanha de Fernando Gabeira ao governo do Rio, eles nunca tiveram a oportunidade de ir fundo num papochocante. Depois de reunidos por MANCHETE, gostaram tanto, que trocaram telefones e Felipe acabou indo ao show de Marina,  no Morro da Urca. A cantora, após sete anos de batalha, conquistou, com o LP “Todas Ao Vivo”, seu primeiro Disco de Platina. O ator, em menos de um ano, decolou de uma mini-série para a novela das oito. Jovens de inegável sucesso, eles falam de sexo, drogas, política e até de casamento e filhos – sem medo de parecerem caretas. (por Ana Gaio)

18 de Janeiro. (Jornal O Globo/Revista da Tevê) Depois do sucesso obtido em sua temporada no Rio e em São Paulo, Marina apresenta seu show “Todas” no sul do País. Em seguida, a cantora tira férias e se prepara para gravar seu novo disco. No “Fantástico”, ela interpreta a música “Ainda é Cedo”, da Legião Urbana. O clip, dirigido por Boninho, conta com a participação especial do fotógrafo Antonio Guerreiro. (autor desconhecido)

Marcelo Dolabela lança, pela editora Estrela do Sul, o “Guia Ilustrado ABZ do Rock Brasileiro”. Marina, cantora e compositora carioca. Ao lado de seu irmão-parceiro Antonio Cícero surge em 1979, ano do surto de cantoras/compositoras, com um samba-blues-rock-bossa-canção  minado  de hai-kais  concretos e  sintéticos. Mais do que  uma cantora/compositora, para seu grande público Marina é como bem ensina Ezra Pound – “uma artista para artistas”. Cada um de seus discos é uma pedra num mosaico-escola. Ver tal mosaico é aplaudir como uma única mão. Viver o único aplauso verdadeiro. Aprender.

1º de Fevereiro. (Jornal do Brasil/Domingo) “Diretas na Música II” – Há dois meses, numa promoção em conjunto com a “Rádio Cidade”, “Domingo” propôs a seus leitores uma eleição direta para a escolha dos nomes que mais se destacaram, no ano passado, no cenário musical. De lá para cá, 1 mil 735 votos chegaram à redação do Jornal do Brasil apontando os preferidos… A cantora Marina comanda a lista de cantoras brasileiras. Foram 632 votos. E, com 577 votos, ela figura o primeiro lugar como revelação feminina brasileira. (autor desconhecido)

3 de Fevereiro. (Jornal A Gazeta/ES) “Marina não deixou por menos: encantou a todos” – Se não chegou a dez mil o número de pessoas que foram à Barra do Sahy, no Litoral de Aracruz, para o show de sábado passado, a cifra passou muito perto desse número.Também pudera: quem se apresentava ao ar livre, naquela noite de pleno verão e acompanhada por uma superbanda, era ninguém mais, ninguém menos do que Marina… (por Chico Neto)

29 de Maio. (Jornal Folha de São Paulo) “Antonio, o Brasileiro” – Preparando-se para lançar dois novos discos, o compositor Antonio Carlos Jobim, que fez 60 anos em janeiro, é a estrela do especial gravado no Teatro Fênix, que a Globo exibe hoje, a partir das 21h25, com cenas gravadas nos últimos dois meses em Nova York e no Rio. Participam do programa em sua homenagem os cantores Edu Lobo, Gal Costa, Chico Buarque,  entre outros…  Um dos momentos mais bonitos do especial, para Tom, é “Lígia”, cantada por Marina. “Eu não a conhecia, mas foi interessante porque ela me contou que quando tinha doze anos, vindo de Nova York para o Rio no navio SS Argentina, corria atrás de mim pelo convés com um violão, pedindo para eu ensinar alguns acordes”, diz. (por Cristina Grillo)

Agosto. Início da fabricação do Compact Disc no Brasil. O mais novo conceito do disco. Totalmente gravado, transcrito e lido digitalmente… com apenas 12 centímetros de diâmetro e gravado em apenas uma das faces.

1º de Setembro. (Jornal do Brasil) “Os astros dos astros” – Tudo é jazz no Rio, de amanhã até a próxima segunda-feira: a cantora e compositora Marina estará no Teatro do Hotel Nacional, para ver o show da lendária Sarah Vaughan, na última, e mais esperada, noite do Free Jazz Festival. (por Marcia Cezimbra)

23 de Novembro. (Jornal O Dia) “Marina reaparece em cena” – “Essa noite eu quero te ter/ toda se ardendo só pra mim/ essa noite que quero te ver/ te envolver/ te seduzir”: ‘Uma Noite e Meia’ é a música de trabalho do novo LP de Marina, o oitavo da sua carreira, que deve pintar nas lojas daqui a uma semana. A música, de autoria do baixista Renato Rocketh (que também canta em algumas partes, além de tocar um baixo bem marcado), já está começando a crescer na programação das rádios, é sucesso garantido: um refrão forte, na voz de uma gata, com uma melodia de fácil absorção (daqueles que você sai assoviando). (…) Um ano depois de lançar o LP “Todas ao Vivo”, um sucesso de vendas e de show, Marina pinta novamente no seu dial, cantando toda a sedução que tem direito. Aliás, não é só de discos que sobrevive a sensualidade da cantora. No novo filme do cineasta neo-bubble gum Lael Rodrigues, especialista em lançar juventude e abobrinha nas telas, sempre embalados pelo rock que rola por essas bandas, cabe a Marina, o crédito da melhor cena. “Rádio Pirata”, o filme, só se salva pela fotografia e pelas músicas, que encontram a integração mais perfeita no take onde Marina canta “Pseudo-Blues” ao violão, com excelentes cortes de superposição do rosto dela com as luzes de um túnel. É a melhor hora do filme e mereceu até palmas da platéia, que já estava entediada e sentiu-se presenteada com a voz, as formas e as cores da cantora. (por Márcia Corrêa)

“Virgem”, o novo LP de Marina, já é Disco de Ouro antes de chegar às lojas. Foram 250 mil cópias em pré-vendas.

25 de Novembro. Lançamento do oitavo disco de Marina: “Virgem”.

“Escolhi ‘Virgem’ porque é um nome diferente e acho que combina comigo, mas virgem significa pra mim as minhas atitudes e é o meu signo (…) As coisas podem ser virgens para nós e nós para elas. Assim, só quem quer vê tudo como deja vú… O mundo é tedioso para quem o entedia e intrigante para quem o intriga. Em outras palavras: ‘Virgem’ é uma constelação de motivos e mistérios.” (Marina)

27 de Novembro. (Jornal O Globo) “Romantismo deslavado” – Depois do ótimo “Todas  Ao  Vivo”, a cantora Marina retorna em plena forma neste elepê “Virgem”. Em 10 faixas do mais deslavado romantismo, a artista prova, definitivamente, sua maturidade. Muito segura na metálica voz e no violão com cordas de aço, a moça deita e rola. Fazendo uma mistura de rock com canções românicas, Marina está demais. Escute atentamente as canções do lado A, como a citada “Pseudo-Blues”, na qual a cantora já dá uma decisão. Cantando bem demais, a moça vai fundo, dialogando de maneira brilhante com o violão e teclados de Nico Rezende. Continue. Escute “Zerando”, faixa em que os irmãos dizem delícias. Indo em frente, encontra-se a fantástica parceria reunindo Cazuza, Bebel Gilberto e Dé na romântica “Preciso Dizer Que Te Amo”, depois “Hearts”, que resgata algo de sua infância nos Estados Unidos e passa-se ainda por “Prestes a Voar”, o rock heavy musical, deliberadamente  ‘duro e tenso’. Fique firme, pois o lado B oferece petiscos tão saborosos quanto o lado A. Começando com a música-título – “Virgem” -, a preferida de Marina, onde, mais uma vez, pinta a parceria com Cícero. Cantando ainda as delícias do Leblon, Marina vai em frente numa das músicas mais fortes do disco: “Uma Noite e 1/2”, na qual, o baixista Renato Rocketh divide a faixa de maneira brilhante com a inspirada cantora. Na seqüência, duas músicas assinadas apenas por Marina, “Confessional” e “Doce Espera”, tão bonita que o produtor desse elepê, o saxofonista Leo Gandelman, além de incluí-la no disco, dá um show à parte, recriando esta faixa. Ao ponto de Marina não resistir e cantar a primeira metade da composição, programada tão somente para instrumental. E para fechar o disco, “1º de Abril”, uma canção enxuta e chique, que Marina compôs inteira, letra e música, que no final pergunta: “qual de nós foi quem mentiu?”. Que viva a virgem cantora! (autor desconhecido)

(Jornal Folha de São Paulo) “Marina lança o pop brasileiro à altura do mundo” – Um dos lançamentos de música pop brasileira mais importantes do ano chega às lojas na próxima segunda-feira: o novo LP da cantora e compositora Marina Lima, “Virgem”. Gravado em 35 dias, o disco é não só a manifestação poética-musical mais reveladora do crescimento artístico de Marina – e da evidência dos sinais de sua modernidade – como também uma das expressões lírico-musicais mais vivas da atualidade no Brasil e do Brasil em relação ao mundo. É o melhor disco da carreira dela e esse progresso se dá em três níveis: no sonoro e no conceitual – e para isso foram substanciais as co-participações, respectivamente, do saxofonista Leo Gandelman, produtor musical do LP, e do poeta Antonio Cícero; e, claro, no nível específico do desempenho de Marina em termos de melodia, composição, voz e escolha de repertório. (por Carlos Rennó)

Dezembro. (Revista Elle)  “Tudo em cima com Marina” – A cara dos anos 80. Moderna. A nova grande cantora do Brasil. São muitas as mensagens sobre Marina. Poucas se detêm para explicar a diferença entre ela e as cantoras que a antecederam. Marina é um relâmpago no céu azul. Assim como Tracy Chapman, nos Estados Unidos, ela é mulher, canta o amos mas não transmite a fragilidade que as outras transmitiam no passado. Decidida, arrojada, às vezes fuma cigarrilha e ousa escrever: “Periga uma blitz na esquina/ caretas marcam sob pressão/ e a gente sempre com tudo em cima…”. Isso foi há bastante tempo e lhe valeu uma longa briga com a Censura. Antigamente, também, as reportagens a chamavam de Marina Lima. Hoje é simplesmente Marina. A trajetória deixou o sobre nome para trás. (…) Marina gosta de dizer que cada disco marca uma época, um estado de espírito.  Quem quiser saber onde ela está, em cada momento, basta consultar o último disco. Por exemplo, agora é “Virgem”, seu signo, mas também a indicação de que está experimentando o mundo de novo. Sozinha, num amplo apartamento do Leblon onde instalou seu pequeno estúdio. (…) Seus discos são pessoais, com mensagens de um amor moderno e livre. É por aí que tem mais de se defender dos críticos. Ousou escrever “bundinhas de fora” numa das letras de “Virgem” e teve de suportar a censura moral vinda de vários lados: “A música é linda. Ela corre o risco que me interessa: transitar entre o chique e o vulgar. ‘Todas de bundinha de fora’ é uma coisa supernatural numa cidade como o Rio. Às vezes é do mais vulgar que vem o mais sutil”. Faz muito tempo que está sozinha. Antes isso metia medo. Agora, não. Queria fazer um disco sem ser paternalizada por nada, gravadora, família, livros. Um disco dela, mulher adulta, dizendo: este é o mundo que vivo; este é o som que eu gosto de cantar. Onde estará Marina no próximo disco? Difícil prever. Só é possível antecipar isto: estará onde menos se espera. O que é sua marca registrada. (por Fernando Gabeira)

28 de Dezembro. (Jornal O Globo) “Brasil na passarela” – Enquanto os operários da Mills-Niemeyer trabalham a toque de caixa para arrumar o palco do grande espetáculo de rock que invadirá a Passarela do Samba em janeiro, os artistas nacionais que participarão do evento tratam dos últimos detalhes para suas apresentações. Eles serão vistos e ouvidos por um público estimado de 240 mil pessoas em quatro dias de rock e derivados. MARINA “A concentração longe dos tietes” – Marina não quer ôba-ôba algum nas proximidades de  seu camarim no sábado, 9 de janeiro, em que se apresenta no Hollywood Rock, no Rio de Janeiro. Antes de entrar em cena, ela gosta de ficar quieta, em concentração. A festinha fica para depois, se for o caso. Com uma nova banda, ela abre o show do Supertramp com um repertório formado por músicas do elepê recém-lançado (“Virgem”), como “Preciso Dizer Que Te Amo”, de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto, e “Pseudo-Blues” de Jorge Salomão e Nico Rezende, além de sucessos de outros discos, como “Fullgás”, “Pra Começar”, e uma homenagem ao Legião Urbana (“Ainda é Cedo”), cuja ausência no festival a cantora lamenta. Há duas semanas ensaiando, Marina sobe ao palco ao lado de Chico Melão (bateria), Leo Gandelman (sax), Paulinho Guitarra (guitarra), Renato Rocketh (baixo) e William Magalhães (teclados). (por Deborah Dumar)

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