1984

2 de Janeiro. (Jornal O Dia/SP) “Atenção: Marina já está no estúdio!” – Neste ano de 83 Marina fez muitos shows, dando, assim, oportunidade de muitos fãs curtirem seu som ao vivo. Mas em compensação não lançou nenhum disco. E, como nem sempre é possível acompanhar de perto todos os shows da cantora, o que vem acontecendo – desde a notícia da sua contratação pela Polygram – é uma avalanche de cartas pedindo notícias. “Estou em estúdio – conta Marina – gravando meu primeiro LP para a Polygram. Tudo está às mil maravilhas. Nosso pique está tão bom que devemos terminar antes do final do ano.” Mas o lançamento do novo disco (5º da carreira) só deverá chegar ao público em março… Sobre o novo repertório, Marina adianta que cinco músicas são de sua autoria (quatro em parceria com o mano Antonio Cícero e uma com Ana Terra) e das dez selecionadas há algumas regravações. Entre elas “Mesmo Que Seja Eu”, de Roberto e Erasmo Carlos. (autor desconhecido)

A Polygram lança a coletânea “Bateu no Paladar – Os Maiores Sucessos de Marina”. No álbum, além de suas melhores canções, tem a música “O Gato”, composta por Vinícius de Moraes, Bacalov e Toquinho, e gravada para o programa “Arca de Noé”, exibido em 1980.

7 de Fevereiro. Marina já está com seu novo disco pronto, mas espera o carnaval chegar e passar para lançá-lo na praça. Isto deve acontecer no dia 12 de março, mas hoje o mix promocional estará sendo distribuído para as emissoras de rádio brasileiras consideradas mais importantes, com a música “Fullgás”, dela e Antonio Cícero. Marina regravou “Mesmo Que Seja Eu”, de Roberto e Erasmo Carlos, que já havia mostrado ano passado, no show “Desta Vida, Desta Arte”, com um arranjo perfeito. Dizem que, quando Erasmo ouviu a versão da cantora, arrependeu-se de ter gravado.

11 de Março. (Jornal O Liberal/Belém) A cantora/compositora Marina está esquentando as turbinas para o lançamento do seu novo LP “Fullgás”, pela gravadora Polygram do Brasil, no próximo dia 15. O mix com a música título vem fazendo muito sucesso nas rádios do país. (autor desconhecido)

18 de Março. (Jornal Folha de São Paulo) – “Marina, a que impede suicídios pela MPB” – Nada de novo sobre o sol – mas sob o sol: Marina há tempos, nega manifestos e impede suicídios provocados pelo eterno tédio reinante na MPB. Suas canções, em parceria com o irmão Antônio Cícero, esquadrinham os corações das metrópoles, desmentindo que as cidades apenas sejam pintadas com a cor cinza. As cidades de Marina são rosas e azuis. E ali está ela, óculos escuros, sorrindo e feliz. Não à toa: nesta semana, seu quinto disco, “Fullgás”, aporta  nas  lojas. Outro antídoto para os tempos modernos… As músicas, antes, traziam a primeira pessoa, hoje o centro evoluiu para descrições ou constatações pessoais. (…) O disco traz surpresas, todas afinadas ou proporcionadas por seu atual estado de graça. Regravou “Mesmo Que Seja Eu”, do Brasa e Tremendão. Marina canta com maior vontade e espontaneidade, a voz tendo sido colocada sem nenhuma tensão. E existem várias músicas de outros compositores. É um teste, acredito. “Cantar  bem as  minhas composições, não vale”, diz. E por isso, além dos Brasas, eternizou o bom Lobão (“Me Chama”) e uma versão alcunhada “Veneno”. Trata-se de uma canção italiana onde a mulher se considera venenosa, verdadeira cobra, que vai te pegar e te transformar. (por Miguel de Almeida)

25 de Março. (Diário do Grande ABC/SP) Marina Lima, que saiu da Ariola e passou para a Polygram, está lançando seu novo disco, “Fullgás”. Uma das figuras mais criativas da MPB, Marina e seu irmão Antonio Cícero, seu parceiro, devem abrir o ano com um delicioso trabalho. (autor desconhecido)

28 de Março. (Revista Veja) “Amor sem choro” – Falar em amor e desamor sem cair no lugar comum representa um verdadeiro desafio na música brasileira atual. Quem se prende à linha tradicionalista, como Roberto Carlos, acaba por repetir velhos clichês, por mais eficiente que seja. Do outro lado da ponte, quem se dedica a inovar a música romântica tem desaguado em rocks açucarados e banais, como o grupo Roupa Nova. Uma grande exceção é Ritchie, o menestrel romântico. Um LP que chega às lojas esta semana, porém, inclui na reduzida lista uma nova e talentosa integrante: a cantora carioca Marina. Desde que iniciou sua carreira em 1978, Marina sempre combinou, em bons LPs, rocks agitados e canções românticas – e provou maior desenvoltura nestas últimas. Em Fullgás, o novo disco, Marina, 28 anos, prova que, enfim, encontrou a sua medida para cantar o amor. Trata-se do mais romântico dos seus cinco discos, e uma prova de que se pode falar do amor com simplicidade sem cair na banalidade. Como tantos outros artistas da música jovem brasileira, Marina recheou o disco de sintetizadores e recursos eletrônicos. Num extremo incomum, utilizou uma bateria eletrônica – comandada por botões – em todas as faixas. A originalidade de seu romantismo é combinar esses recursos à extrema discrição com que conta seus casos de amor. Marina não é esfuziante ao cantar novas paixões, nem se derrama em lamentos ao relatar romances malsucedidos. Ela arrebata pelo bom gosto, pela leveza de sua interpretação, pela entonação certa conferida a cada frase ou imagem. Como faz em “Pra Sempre e Mais Um Dia”, ao cantar: Ninguém no mundo faz o que ele me faz / Tanto romance, tanta graça e pornô. São palavras que, sem dúvida, poderiam soar vulgares nas vozes arrebatadas de Joanna ou Maria Bethânia, mas que soam naturais na voz de Marina, talvez porque ela leve uma vantagem sobre essas intérpretes: é autora – com o irmão Antônio Cícero – da maioria das canções de seus LPs. Assim, ela alcança a dimensão exata do que cabe em sua voz, e torna-se capaz de fazer música romântica com instrumentos eletrônicos sem parecer uma eterna imitação dos Beatles ou dos Bee Gees. (por Okky de Souza)

Maio. “Fullgás chega ao palco” – No próximo dia 11 de maio Marina inicia a excursão de lançamento do LP “Fullgás” (5º da carreira, 1º pela Polygram). Já estão acertados quinze shows (de 11 a 30 de maio) pelo interior de São Paulo e a chegada do novo show ao Rio (Teatro Ipanema) está prevista para junho.

13 de Junho. (Jornal do Brasil) “Marina, a volta por cima no Teatro Ipanema” – Carioca, 27 anos, beleza que não se ressente do ligeiro estrabismo, a cantora-compositora Marina Lima, ou simplesmente Marina, mostra que, depois de cinco LPs, faz inteira justiça ao título do último – o “Fullgás”, também no nome  do espetáculo que ficará em cartaz até o dia 1º, no Teatro Ipanema. Depois de rodar por Porto Alegre e interior de São Paulo, o show aportou no Rio para uma estréia das mais sufocantes e concorridas dos últimos tempos… Dona  de um  estilo todo  seu,  pois  canta  com  um  balanço  bem  diferente (…), a cantora sabe tirar partido das lições, procurando fazer um novo som, já que seu forte é a melodia. (…) Marina insiste em que este “Fullgás” não é uma superprodução musical, “é como se fosse um concerto, pois o importante é o que está sendo dito, já que cada música tem uma história, um recado, uma ideologia político-sexual”. Sem esquecer de que “minha cara, é um, dois, três e atacar em espetáculos muito à vontade, onde tem muito improviso, onde às vezes falo”. “Se eu tiver uma direção”, continua, “uma marcação, sei que não vou seguir, pois é um reflexo da minha maneira de ser, mas nem por isso deixam de ser espetáculos bem cuidados”. (por Diana Aragão)

16 de Junho. (Revista Manchete) Jovem, e de merecido êxito, Marina vem de “Fullgás” (selo Polygram). Aqui, seja recriando com toda sua pessoal intensidade um título aparentemente tão improvável quanto “Mesmo Que SEja Eu” (de Roberto e Erasmo Carlos) ou defendendo a faixa-título, “Fullgás” (Marina/Antonio Cícero), Marina reafirma sua posição de destaque na jovem música brasileira. Em eterno processo de renovação, sem fronteiras nem barreiras. (por Wilson Cunha)

5 de Agosto. (Jornal Estado de Minas) “Marina, um show onde tudo é fullgás” – O show “Fullgás” chega enfim a Belo Horizonte, em oportunidade única para se conferir o seu sucesso: somente nesta quarta-feira (dia 8), no Palácio das Artes… Vem com um visual renovado, um ar de mais madura e segura. Vem para mostrar ao público mineiro o seu mais recente trabalho: um espetáculo que mexeu com os cariocas, na sua temporada no Teatro Ipanema. Este “Fullgás”, segundo Marina, é o show “mais completo”. “Fullgás” é basicamente o show-lançamento de seu último disco, com o mesmo nome e o quinto de sua carreira. Pode-se dizer até que é o seu momento de afirmação como intérprete e  ruptura com  seu  trabalho anterior.  Mas  o  show o show mostra um salto qualitativo na sua trajetória artística. Revela ainda mais uma cantora inconfundível, com um balanço e um jeito próprio de dizer as coisas, cheia de tiques e maneirismos nas quebradas de sua voz. (autor desconhecido)

23 de Agosto.  (Jornal O Estado de São Paulo) – “Fullgás.  Um ‘concerto’ de Marina no Circo Mágico” – O Circo Mágico do Anhembi está pronto para receber Marina com seu “Fullgás”, show que já viajou pelas principais capitais do País e que agora chega às margens do Tietê, próximo ao Anhembi, onde será apresentado de hoje, às 21 horas, até o dia 2 de setembro… No show, ela interpretará, entre outras composições, “Mesmo Que Seja Eu”, “Ensaios de Amor”, “Veneno”, “Vôo do Coração”, “Me Chama”, além de “Fullgás”. Na opinião de Marina, o espetáculo  está  afinado  tanto   nas   músicas  como  nos textos. “Nunca um concerto é igual ao outro. Minha fala tem duração e entradas diferentes, dependendo do clima de cada noite. Não estou preocupada com os textos. As próprias músicas já dão o recado”. (autor desconhecido)

1º de Dezembro. (Jornal de Petrópolis/RJ) “Marina traz hoje seu Fullgás a Petrópolis” – A cantora Marina será a grande atração deste sábado na Danceteria Petrô, onde estará se realizando a Festa de Formatura-84 do Colégio S. José. O show de Marina será ao vivo e é o mesmo que tem percorrido o país e tem sido apontado pela crítica como um dos melhores espetáculos do ano. O roteiro do show é de Marina e Antonio Cícero. (autor desconhecido)