1981

27 de Janeiro. (Jornal O Globo) “Marina: Depois da estrada, o canto com liberdade” – Depois de temporadas bem sucedidas em São Paulo e Salvador, a cantora Marina se apresenta a partir de hoje no Teatro Ipanema no show “Olhos Felizes”. Há um ano, Marina fez três noites de espetáculos no mesmo teatro, o que ela chama de “o primeiro grande susto”. Dessa vez a cantora volta “bem mais amparada, com um pouquinho de estrada já percorrida”, ansiosa para mostrar ao público um trabalho novo e que por isso mesmo “deve intrigar a muita gente, mas, felizmente, parece agradar a um público enorme, que não esconde sua admiração pelo seu estilo”. No espetáculo do Teatro Ipanema, Marina é acompanhada por Lobão (bateria), Zé Luiz (sopro), Paulo Machado (teclados), Júnior (baixo) e Guto (guitarra).

28 de Outubro. (Revista Veja) “Primeira cigarra” – Faltava muito pouco para Marina passar ao primeiro time da música popular brasileira. No ano passado, quando invadiu as rádios com a balada “Nosso Estranho Amor”, em dueto com seu autor, Caetano Veloso, revelava-se uma boa cantora, segura e de timbre muito pessoal. No mesmo período, contudo, chegou às paradas com músicas de Rita Lee (“Doce Vida”) e Gilberto Gil (“Corações a Mil”) e, assim, confundiu-se com as repetitivas intérpretes que vivem de gravar e regravar canções de autores consagrados. Faltava-lhe apenas amadurecer, corrigir os equívocos de produção e repertório de seus dois primeiros LPs, trocar o departamento das “promessas a vingar” pelo da “vanguarda pronta”. Marina andou a passos largos nesse ano e meio: seu novo LP, “Certos Acordes”, é uma das melhores surpresas de 1981. Preferindo as afiadas parcerias com o irmão Antônio Cícero ao aval dos grandes nomes, dispensando as orquestrações complicadas, realizou um disco de eficiente simplicidade, balançado e sugestivo, próprio para as tardes ensolaradas do verão que se aproxima. De verões, aliás, Marina entende. Carioca, 25 anos, era uma das figuras mais badaladas da praia de Ipanema até que, em 1979, decidiu abandonar o diletantismo para se dedicar mais seriamente à carreira. Seu único passatempo, agora, é a solitária pescaria. “Estou até querendo mudar para São Paulo, pois a vida no Rio de Janeiro é um círculo vicioso de pessoas, locais e idéias”, queixa-se. (por Okky de Souza)

05 de Novembro. (Jornal O Globo) Marina  Lima tem 25 anos, é carioca, intérprete, compositora, instrumentista e está lançando seu terceiro elepê, “Certos Acordes”. Com este novo disco, Marina não está preocupada se vai ser aceita ou não pelo público e crítica. “Não fiz este disco pra ninguém. Quando o ouvi pela primeira vez, fiquei morta de vergonha, ao constatar que estava mostrando um lado meu tão infantil e, ao mesmo tempo, emocionada por ter feito um trabalho com tanta verdade.” (autor desconhecido)

23 de Dezembro. (Revista Fatos & Fotos) “Marina: um novo som” – Para quem começou como representante da geração Baixo Leblon, no Rio, tentando passar uma imagem sofisticada e sensual, a virada foi grande. “Eu detestava isso, diz Marina, cantora e compositora, “é um absurdo, música é uma coisa de sentimento, que ultrapassa o espaço geográfico. Mas acho que é o preço que toda pessoa que começa com uma coisa dita diferente tem que pagar”. Novos tempos, nova imagem, bem mais natural, mas ainda fora do convencional “porque eu tenho uma história musical que passou pelos Beatles e Caetano Veloso e faço o que sinto. Se é diferente da maioria…” Parte de uma geração que cresceu podendo se manifestar muito pouco politicamente, Marina acha que, para quem viveu no zero, qualquer abertura é válida. (…) Se alguma coisa mudou politicamente para a sua geração, a música também não ficar atrás. “Não dá mais para ficar cantando barquinhos. A gente teve bons tutores e se não aprendeu nada com eles, é melhor fazer outra coisa. Isso não quer dizer que uma pessoa como Cartola não seja do meu tempo, mas de vivência. As minhas raízes estão ligadas à cidade grande e o meu trabalho, bem ou mal, é uma tentativa de pensar esse tipo de comportamento.”As pretensões são muitas, Marina reconhece. “Tenho vontade de abrir a cabeça das pessoas como abriram a minha. A música é muito forte nesse sentido. A Blitz estourou porque faz músicas para jovens que estão procurando uma linguagem para se identificar. Eu também quero levar essa linguagem à medida que procuro me traduzir, só que o meu público varia muito de idade porque eu falo sobre comportamento em geral, você com a vida.” (por Marilda Duarte Machado)